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Sem
a geração de trabalho decente, o crescimento econômico não
será suficiente para que o mundo avance nos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio (ODM, uma série de metas socioeconômicas que os
países da ONU se comprometeram a atingir até 2015), ressaltou o
administrador internacional do PNUD, Kemal Dervis, em debate sobre o tema na Assembléia
Geral da ONU.
Uma
conseqüência do crescimento desigual é que ele tem sido menos
pró-pobre. Não pode haver progresso em relação aos
ODM se não construirmos uma economia mundial que gera trabalho decente
algo que a OIT [Organização Internacional do Trabalho] enfatiza
há anos, afirmou Dervis.
O
crescimento na economia global nunca foi tão rápido como atualmente.
Contudo, muitos países pobres têm sido excluídos e se encontram
hoje em dia muito mais distantes economicamente dos países ricos do que
antes, observou. De acordo com ele, a diferença entre as taxas médias
de crescimento per capta entre os dez países mais ricos e os dez mais pobres
têm aumentado aceleradamente. Em 2005, os dez países do topo eram
50 vezes mais ricos que as dez nações mais pobres. Embora
seja importante crescer rapidamente, o crescimento por si só não
vai erradicar a pobreza. A distribuição de renda afeta a capacidade
do crescimento de ajudar as pessoas a saírem da pobreza, comentou.
Dervis
prevê que nenhuma região deverá cumprir todos os Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio até 2015. E o esforço para alcançar
o oitavo (estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento) o único
que tem relação direta com os países desenvolvidos
precisa ser fortalecido.
O
norte da África, previu o administrador do PNUD, provavelmente alcançará
a maioria dos Objetivos, com exceção do terceiro (promover a igualdade
de gênero) e do quinto (prover a saúde materna). Os países
da Ásia Oriental também apresentam um cenário positivo
provavelmente alcançarão quatro dos oito ODM, com exceção
do segundo (universalizar a educação), do quarto (reduzir a mortalidade
infantil), do sexto (combater a Aids e outras doenças) e do oitavo. A América
Latina e os países da ex-União Soviética também devem
alcançar cinco Objetivos, enquanto o Sudeste da Ásia deverá
atingir apenas três.
Os
maiores problemas em relação ao alcance dos ODM, apontou Dervis,
estão na África Sub-Saariana e na Oceania onde, se for mantida a
tendência atual, nenhum dos Objetivos deve ser alcançado. A Ásia
Meridional e a Ásia Ocidental também estão atrasadas
até 2015, a primeira deverá alcançar apenas o objetivo 2
e a outra, somente o sexto. Nós estamos, é claro, nos referindo
a tendências atuais. Essas tendências podem ainda sofrer alterações
em muitos casos, se houver mais recursos e melhores políticas. Para isso,
é preciso que haja boa vontade política tanto dos países
em desenvolvimento quanto dos desenvolvidos.
com
informações e fotos do site do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento - PNUD
http://www.pnud.org.br