Pedro
Reis
Apesar
de todo o progresso tecnológico disponível no mundo de hoje, ainda
temos disparidades tamanhas, que fica a impressão de sermos duas raças
humanas, uma com acesso a toda essa modernidade e outra à qual falta o
básico de dignidade.
Os
objetivos de desenvolvimento do milênio, são ações
que todos os 191 Estados-Membros das Nações Unidas assumiram em
1990 com o compromisso de alcançá-las até 2015.
Estaremos
oferecendo nessas páginas, reportagens e estatísticas sobre o que
já foi feito e alcançado e o que ainda resta fazer.
Se
pensarmos bem, não seria tão difícil se todos os segmentos
da sociedade se empenhassem, num mínimo que estivesse ao seu alcance. Não
só instituições e governos, mas cada um de nós.
1
- Erradicar a extrema pobreza e a fome
Um
bilhão e duzentos milhões de pessoas sobrevivem com menos do que
o equivalente a $ 1,00 (PPC paridade do poder de compra, que elimina a
diferença de preços entre os países) por dia. Mas tal situação
já começou a mudar em pelo menos 43 países, cujos povos somam
60% da população mundial. Nesses lugares há avanços
rumo à meta de, até 2015, reduzir pela metade o número de
pessoas que ganham quase nada e que por falta de emprego e de renda - não
consomem e passam fome.
2
- Atingir o ensino básico universal
Cento
e treze milhões de crianças estão fora da escola no mundo.
Mas há exemplos viáveis de que é possível diminuir
o problema como na Índia, que se comprometeu a ter 95% das crianças
freqüentando a escola já em 2005. A partir da matrícula dessas
crianças ainda poderá levar algum tempo para aumentar o número
de alunos que completam o ciclo básico, mas o resultado serão adultos
alfabetizados e capazes de contribuir para a sociedade como cidadãos e
profissionais.
3
- Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres
Dois
terços dos analfabetos do mundo são mulheres, e 80% dos refugiados
são mulheres e crianças. Superar as disparidades gritantes entre
meninos e meninas no acesso à escolarização formal será
um alicerce fundamental (entre outros) para capacitar as mulheres a ocuparem papéis
cada vez mais ativos tanto no mundo econômico quanto na atividade política
em seus países.
4
- Reduzir a mortalidade infantil
Todos
os anos 11 milhões de bebês morrem de causas diversas. É um
número escandaloso, mas que vem caindo desde 1980, quando as mortes somavam
15 milhões. Os indicadores de mortalidade infantil falam por si, mas o
caminho para se atingir o objetivo dependerá de muitos e variados meios,
recursos, políticas e programas dirigidos não só às
crianças mas a suas famílias e comunidades também.
5
- Melhorar a saúde materna
Nos
países pobres e em desenvolvimento, as carências no campo da saúde
reprodutiva levam a que a cada 48 partos uma mãe morra. A redução
dramática da mortalidade materna é um objetivo que não será
alcançado a não ser no contexto da promoção integral
da saúde das mulheres em idade reprodutiva. A presença de pessoal
qualificado na hora do parto será, portanto, o reflexo do desenvolvimento
de sistemas integrados de saúde pública.
6
- Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças
Em
grandes regiões do mundo, epidemias mortais vêm destruindo gerações
e cerceando qualquer possibilidade de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, a experiência
de países como o Brasil, Senegal, Tailândia e Uganda vem mostrando
que podemos deter a expansão do HIV. Seja no caso da Aids, seja no caso
de outras doenças, como a tuberculose e a malária, que ameaçam
acima de tudo as populações mais pobres e vulneráveis, parar
sua expansão e depois reduzir sua incidência dependerá fundamentalmente
do acesso da população à informação, aos meios
de prevenção e aos meios de tratamento, sem descuidar da criação
de condições ambientais e nutritivas que estanquem os ciclos de
reprodução das doenças.
7
- Garantir a sustentabilidade ambiental
Um
bilhão de pessoas ainda não têm acesso a água potável.
Ao longo dos anos 90, no entanto, quase o mesmo número de pessoas ganharam
acesso à água bem como ao saneamento básico. A água
e o saneamento são dois fatores ambientais chaves para a qualidade da vida
humana. Ambos fazem parte de um amplo leque de recursos naturais que compõem
o nosso meio ambiente florestas, fontes energéticas, o ar e a biodiversidade
e de cuja proteção dependemos nós e muitas outras
criaturas neste planeta. Os indicadores identificados para esta meta são
justamente "indicativos" da adoção de atitudes sérias
na esfera pública. Sem a adoção de políticas e programas
ambientais, nada se conserva em grande escala, assim como sem a posse segura de
suas terras e habitações, poucos se dedicarão à conquista
de condições mais limpas e sadias para seu próprio entorno.
8
- Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento
Muitos
países pobres gastam mais com os juros de suas dívidas do que para
superar seus problemas sociais. Já se abrem perspectivas, no entanto, para
a redução da dívida externa de muitos Países Pobres
Muito Endividados (PPME). Os objetivos levantados para atingir esta meta levam
em conta uma série de fatores estruturais que limitam o potencial para
o desenvolvimento em qualquer sentido que seja da imensa maioria
dos países do sul do planeta. Entre os indicadores escolhidos estão
a ajuda oficial para a capacitação dos profissionais que pensarão
e negociarão as novas formas para conquistar acesso a mercados e a tecnologias
abrindo o sistema comercial e financeiro não apenas para grandes países
e empresas, mas para a concorrência verdadeiramente livre de todos.
com informações e fotos do site do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento - PNUD
http://www.pnud.org.br