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ilustração |
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terça-feira,
11 março, 2003 11:34
Intermináveis
confrontos
Havia
me proposto a ignorar solenemente a tão decantada
iminência de confronto bélico. Em meu coração
sigo firmo nesse propósito, mas sinto também
um desejo, agora incontrolável, de expressar meu
profundo descontentamento com esse estado absolutamente
inconcebível, nesta altura da nossa história.
- Será
que o único caminho que o ser humano entende é
o do confronto? Será que não vamos entender
que os únicos prejudicados são os povos envolvidos
numa situação esdrúxula como essa?
Que o saldo invariavelmente são crianças,
idosos, mulheres e homens mortos, mutilados e famílias
destruídas? Que os declarantes desses confrontos
anacrônicos e interesseiros, terminam, quando vencedores,
cobertos das glórias efêmeras de medalhas e
monumentos e os vencidos em algum exílio paradisíaco
estratégicamente esquecidos ao final dos confrontos?
Ou são suicidados?
Pode ser que muitos ainda encontrem
justificativas para essa atitude asquerosa, hipócrita
e terminantemente desnecessária. Não somos
verdeiramente capazes de conviver com as diferenças,
não somos capazes sequer de dar destino adequado
ao lixo que produzimos, de preservar que seja a calçada
diante de nossas casas, talvez por isso tenhamos ainda que
assistir a essas brigas de mimados e mal educados, meninos
que nunca admitiram nada adiante de seus umbigos. Que enxergam
a vida pela ótica míope do materialismo, do
interesse econômico imediato. Competidores talvez
derrotados, naqueles pueris campeonatos de cuspe ou xixi
à distância, talvez derrotados pela régua
naquele outro campeonato para saber de quem era o maior.
Crescem e vão apontar seus grandes canhões
e bombas. A guerra é a dificuldade contundente da
boa relação com a vida, com a plena expressão
dos talentos, ausência plena de Deus em essência,
desequilíbrio interior do masculino e do feminino,
fraqueza de caráter, que até um psicólogo
recém-formado poderia identificar.
Daqui para a frente só
é concebível o boicote, porque essa patetada
assassina que se desenha no horizonte, foi patrocinada por
muitas vias indiretas em inúmeros ramos de negócio,
que pagam royalties que viram bombas, aviões e navios
de guerra, capacetes e armas de toda a espécie. Aquele
sanduichinho inocente, aquele refrescozinho marrom geladinho
e tantos outros, palhacinhos e ratinhos idiotas, que nós,
mais idiotas ainda consumimos, e que ajudam a patrocinar
esse espetáculo dantesco inconcebível, para
um mundo que ainda tem muita fome, falta de escola, casa,
saneamento básico apenas para falar de alguns.
Ninguém
precisa de guerra, ninguém!
Todas
as pesquisas, são contra, todas as manifestações
são contra. Como é que podemos conceber que
dois sujeitos iguais a nós, digam qual deve ser a
postura de todos? Quem manda na sua casa, você ou
seu vizinho?
No meu tempo de ginásio,
que hoje chama ensino médio, havia um sujeito que
achava que batia em todo mundo, porque era o máximo.
A sua posição social, permitia-lhe comprar
as simpatias com doces, sorvetes e festas. Bastava que o
talzinho não fosse com a cara de alguém e
já marcava uma surra na saída, sempre assistida
por seus asseclas babacas.
Um dia fui escolhido como bola
da vez, encontro marcado, lá fui eu. Larguei os livros
no chão. Joguei meu excesso de peso em cima do galã
quebrei-lhe três dentes e o braço e só
parei por que uns quatro ou cinco me seguraram. Sabe Deus
de onde tirei tanta fúria.
Salvei a pele de muitos, porque
o mocinho bravo, nunca mais chamou ninguém para a
briga e ficou um bom tempo sem poder assobiar. Ainda por
cima quis ser meu amigo. Virou moça, cheio de gentilezas.
Diferenças são
tiradas olho no olho, com quem as têm; ninguém
precisa de turma quando sabe qual é seu papel na
vida. Na falta de correr para o papai, usa os tanques.
Imaturos e medíocres,
todos aqueles que resolvem seus problemas pessoais, matando,
vingando, difamando ou virando a cara e fazendo beicinho.