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ilustração |
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quarta-feira,
11 dezembro, 2002 19:17
É
preciso que a vida tenha um fio
A vida é
uma trama infinita onde todas as coisas, visíveis
ou não estão entrelaçadas. Pessoas,
situações e coisas formam um cipoal imenso
e muito além da nossa capacidade de compreensão
e absolutamente coerente com o Propósito Supremo
de todas as coisas.
Não existe portanto ação,
seja de que ordem for, que não traga conseqüência.
Não existe gesto inocente, pelo menos no sentido
literal da palavra. Do mesmo modo não existem meias
verdades, meias mentiras, ou qualquer outro nome ou figura
que se use para justificar nossa necessidade de manipular
os resultados da vida. Cada gesto gera uma conseqüência,
infalivelmente, hoje ou daqui a cem anos.
Desse modo tudo aquilo que é
feito no correr de um dia, determina o momento seguinte
e assim por diante. Se queremos que determinada coisa aconteça,
devemos trabalhar direta e deliberadamente para isso, sem
jogos, sem dissimulação. Caso contrário
ou estamos nos enganando ou não queremos de verdade
e aí estaremos nos enganando duplamente.
Deus perdoa as crianças,
porque vivem o recomeço e as conseqüências
de seus gestos são amortecidas temporariamente, mas
não esquecidas, porque no futuro o desenho de sua
própria trama, haverá de ser reavaliado.
Não podemos aceitar conviver
com pessoas, situações e coisas e do mesmo
modo, não podemos limitar outras, para atender aos
nossos caprichos e medos. A vida ou é um exercício
de alto risco, ou não é nada.
Os limites na vida, não
são impedimento, mas muito mais, visualização
de território.
Aquilo que não é
feito, não produz resultado, nunca. O comprometimento
que não se torna explícito é um laço
frouxo, é porta para o desvio, aquilo que o ser humano
mediano focado apenas na matéria chamaria de acaso
ou fatalidade, porque não enxerga a fina trama que
une todos os gestos.
Entre os que dormem desculpável,
que venham as sucessivas reencarnações, que
venham os altos e baixos da vida e aquele "dar de ombros"
de quem diz "coisas da vida".
Entre despertos, por pouco que
seja, inconcebível, porque nesses o peso será
maior. Sujeitos sim às mesmas leis, terão
mais trabalho, sofrerão mais fundamente as inconseqüências
de suas ações.
Aos que dormem é dado
o direito de repisar comportamentos, a massa só pode
ir ao forno se for homogênea. Aos despertos não,
porque a evolução é constante e não
se assa duas vezes o mesmo pão e é obrigação
portanto dar soluções mais elevadas, para
os mesmos problemas.
Estar desperto, não significa
ser perfeito ou superior, porque o edifício evolutivo
é interminável, mas já é motivo
suficiente para não ser medíocre, já
oferece base adequada para perguntas mais sólidas
e comportamentos levemente diferenciados.
O desperto sabe que as coisas
não são finitas, que a experiência abandonada
hoje voltará necessariamente amanhã e sempre
em condições menos favoráveis na proporção
do grau de abandono.
O desperto sabe que se tentar
viver como medíocre, terá sucesso no mundo
dos medíocres e ficará em débito com
o mundo dos despertos.
Será o máximo (em
terra de cego quem tem um olho é rei) e será
idolatrado, porque os medíocres se espantam e admiram
de tudo, mas estará invariavelmente acumulando fardos
que teria de carregar para o mundo dos despertos.
O desperto enfim não dissimula,
à espera do melhor resultado, à espera do
que lhe seja conveniente para dessa forma poder sempre ter
uma desculpa ou uma válvula de escape.
O desperto assume posturas e
quando erra pede perdão e automaticamente se propõe
a não cometer o mesmo erro. Os outros despertos perdoam
e sabedores de que são suscetíveis de erro,
(quem não erra?) retomam a caminhada. Os que dormem
são os que atiram pedras e viram as costas, apoiados
na visão embaçada que uma ida à igreja
no domingo já lhes garantirá um terreninho
no céu.
Os despertos enfim, sofrem mais,
porque não é fácil viver cercado de
medíocres, mas sabedores que a vida é uma
trama infinita, conscientes de que também estão
evoluindo e que também tem débitos acumulados,
ainda no tempo de sua mediocridade, levantam a cabeça
e seguem, porque a vida não para nunca.
Os medíocres, dão
de ombro e mudam de gente e lugar como quem troca de roupa.
Atravessam a rua ou viram a cara para não cruzar
com o inconveniente. Mudam de comportamento em função
do ambiente em que se encontram e vivem com a cabeça
ocupada em pensar histórias mirabolantes para justificar
os passos de sua vida. E não percebem que há
despertos em volta (sempre há) que lhes vislumbram
as tentativas sabidamente infrutíferas que estes
fazem para enganar o mundo e a si mesmo de que estão
sempre certos e que nunca serão descobertos nas suas
mediocridades. E fazem muitas coisas mais, para disfarçar
o tormento interior que lhes consome até o dia em
que certamente despertarão.
Enquanto isso lançam a
dúvida, mãe das paixões de larga prole
e se comportam de maneira subjetiva dando margem à
suspeita, mãe de todas as tragédias, achando
que assim garantirão um lugar nesse mundo pequeno
das aparências, levantando muros de palha atrás
dos quais se sentem seguros esquecendo que venta. Aceitando
favores condicionados e ferindo friamente os corações
que lhes são próximos apenas para saciar seus
desejos pequenos de progresso e conforto, esquecendo que
a trama da vida é uma fina renda por onde as almas
despertas passeiam e as almas medíocres se enroscam
como quem entra numa casa abandonada cheia de teias de aranhas.
Aliás penso que a aranha existe exatamente para nos
mostrar isso, a necessidade da leveza dos passos.
Aos despertos cabe enfim, conscientes
de que também são pequenos diante das leis
superiores, amá-los, confiando verdadeiramente que
haverão de despertar. E permanecer próximos
para estender-lhes as mãos tão logo seus olhos
se abram para que os primeiros raios da luz da vida renovada
os alcance e corajosamente quietos e impassivos até
que o último segundo de escuridão se dissipe.
Porque para tudo existe um tempo (Eclesiastes 3:1/21) que
nem é curto, nem longo, mas absolutamente executável
se quisermos aqui e agora, pelo simples poder da nossa vontade.
A vida é uma trama infinita
onde todas as coisas, visíveis ou não estão
entrelaçadas. Pessoas, situações e
coisas formam um cipoal imenso e muito além da nossa
capacidade de compreensão e absolutamente coerente
com o Propósito Supremo de todas as coisas. Se estou
desperto é minha obrigação lembrar
disso em cada ato, pensamento e palavra em minha vida e
na vida dos que estão ao meu redor neste tempo momento
e lugar.