Mesmo
entre os mais antenados, a busca das soluções sempre cai na mesma
valeta - o lado de fora. O conceito hermético do "Conhece-te a ti
mesmo" é sem dúvida um dos mais difíceis de se praticar.
Antigamente,
todo ser que buscava um contato mais direto com o Divino, encerrava-se em claustros,
isolando-se do mundo e seu barulho ensurdecedor (sim, desde incontáveis
tempos, mesmo sem os motores o mundo já era barulhento). Desde os monastérios
em montanhas longínquas até os moderníssimos workshops terceiromilenistas,
uma multidão de gente busca Deus, depois que todos os prazeres mundanos
não fizeram calar aquele incômodo ruído que vem de dentro.
Esse incômodo ruído, é a resposta. Significa que aquilo que
pensamos ser a resposta, o estímulo sensorial do mundo exterior, turva
e embaralha a resposta certa, que por vir da alma, que ninguém vê,
acaba quase sempre relegada a segundo plano. A grande sacada está aí.
O que não se vê sob o ponto de vista da vida material é o
que contém a substância daquilo que se busca. Não
se trata de dar nomes (esse é um sintoma de materialismo), mas chamemos
de paz de espírito, auto-realização, plenitude, a lista é
imensa. O mundo ainda hoje separa a vida material e a vida espiritual, formando
fanáticos em ambos os extremos. Inexiste modelo que satisfaça a
todos, salvo o modelo cósmico, que por não se engessar em conceitos
e teorias limitantes e só poder ser experienciado individualmente é
o único perfeito. Se
você pende para a vida material esgota as possibilidades do corpo, queimando
combustível para realizar-se com bens materiais. Se você pende para
a vida espiritual, também esgota combustível ficando em contato
permanente com o éter e se realiza com experiências transcendentes,
segundo a carne, mas egóicas segundo a Lei Universal da eterna troca. Quem
sabe se um modelo humano menos desgastante seria o do intercâmbio entre
vida espiritual e material? Uma coisa que vamos chamar de Prosperidade, uma mistura
de realização material com realização espiritual.
Intenções e desejos caminhando de mãos dadas, segundo Deepak
Chopra. Podemos também chamar de Responsabilidade Social ou Consciência
Ecológica. Alcança-se esse estado de Bem Aventurança, na
medida em que se aprende a dosar necessidades pessoais e necessidades do meio
em que se vive. É
dedicar um tempo para si e um tempo para ensinar aos outros, o que aprendemos
enquanto estávamos na caverna. É pregar menos e agir mais. É
usar apenas um peso e uma medida na avaliação de tudo que nos rodeia.
É lembrar que o corpo só fica doente quando a alma cansou de mandar
sinais e não foi compreendida; que a necessidade e a falta são sub-produtos
das crenças e defeitos do espírito; que os rituais só funcionam
quando a alma compreende o significado da coisa em questão. Assim, de nada
vale continuar indo só até a farmácia ou hospital; a jogar
na loteria toda semana e frequentar uma igreja qualquer. É
preciso servir com o melhor dos nossos talentos, uma coisa que seja, um amigo,
uma informação casual na rua, uma oração simples agradecendo
a vida pela plenitude que ela nos oferece em pequenos detalhes, apesar do ruído
e das mazelas do dia-a-dia. E como isso não é um livro de auto-ajuda,
mas um pensamento em voz alta, peço licença para ir cuidar de alguns
detalhes significantes em minha vida, que dizem respeito ao que escrevi acima.
Obrigado a todos pela ajuda! julho/2003 |