Porque
a princípio não sei, o tamanho da dor que vai no coração
do outro, não posso julgar. E dor aqui, não deve ser vista sob o
ponto de vista físico, mas do consciencial. Aquela
sensação de incômodo que habita o coração de
nós todos, a força que nos impele numa determinada direção,
sempre em busca da tal paz de espírito.É essa sensação
que nos conduz pela vida e é a grande responsável pelas nossas atitudes
e comportamentos. Como
ninguém ensina a ouvir a alma, mas antes a atender os apelos fáceis
do mundo material, o volumoso estímulo sensorial da propaganda vindo de
todas as vertentes do pensamento humano, não raro pouquíssimos seres
humanos, ouvem a voz da alma. Todo comportamento que observamos em nosso semelhante,
traz uma mensagem cifrada, que só pode ser compreendida em profundidade,
se nos despirmos de amor próprio, orgulho, vaidade e outras tantas características
e deixarmos à mostra o coração. Toda
alma precisa se expressar, encontrar o canal por onde possa fluir e a vida na
terra ainda hoje é como um covoal, um labirinto, que não deveria
ser seguido, nem obedecido quase que inconscientemente, porque a saída
não está em nenhum lugar fora, mas dentro. Quanto mais silencioso
fico, menos reativo às reações das pessoas e tudo que está
no exterior. Caras feias, gritos, risos, choros, ordens, desprezo, raiva expressada,
vingança, traição, são apenas a ponta do iceberg chamado
alma, tentando no meio da barafúrdia, encontrar seu pleno fluxo. O
comportamento das pessoas se torna muito igual, quando ao invés de repararmos
no como foi feito ou falado, atentarmos para o que foi feito e falado. Assim percebemos
a intenção por trás do gesto, porque essa é preponderantemente
mais importante. O único jeito de perceber o que a vida está nos
mostrando, o como nós mesmos estamos nos vendo e aceitando e se é
ou não necessário modificar as nossas atitudes. Evolução,
o nome desse longo e tortuoso processo é evolução. Um caminho
que se torna mais ameno, se a despeito de todo o desconforto, continuarmos firmes,
naquilo que determinamos como propósito. E como há uma dor (bem
entendida) no fundo de cada coração, e no meu também, devo
parar e pensar, falar cada vez menos, agir equilibradamente cada vez mais. Isto
não é um conselho, é um exercício para se praticar
todos os dias! julho/2003 |